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Festival de Cirandas de Manacapuru: últimos preparativos intensificam trabalho nos galpões

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Artistas e profissionais atuam nos bastidores da Flor Matizada, Guerreiros Mura e Tradicional durante a preparação para o festival

 

A poucos dias das apresentações no Parque do Ingá, em Manacapuru (distante 68 quilômetros de Manaus), as cirandas Flor Matizada, Guerreiros Mura e Tradicional intensificam os preparativos para o 28º Festival de Cirandas, que acontece neste fim de semana, nos dias 28, 29 e 30 de agosto.

 

Nos galpões das agremiações, o trabalho envolve diferentes profissionais que participam da preparação dos espetáculos. Costureiras, pintores, soldadores, aderecistas, alegoristas, coreógrafos, compositores, músicos e outros trabalhadores atuam em etapas que começam meses antes das apresentações.

 

A produção das fantasias, adereços e demais elementos que chegam à arena movimenta uma cadeia de atividades ligadas à cultura e à economia criativa. Durante o período de preparação, profissionais de Manacapuru, Manaus e de outras localidades participam das atividades desenvolvidas pelas agremiações.

 

É o caso da aderecista Thaiana Sampaio, que pelo segundo ano consecutivo integra a equipe da Flor Matizada na confecção das peças utilizadas pelos cirandeiros. Natural de Manaus, ela permanece temporariamente em Manacapuru durante o período de produção dos adereços. “É um espaço que dá muita oportunidade para a gente. Saímos da nossa rotina, deixamos a família e viemos para Manacapuru, mas é um trabalho que gera uma renda muito boa. A gente procura trabalhar com excelência”, conta.

 

Thaiana atua na confecção de peças utilizadas na cabeça dos cirandeiros e explica que a produção é dividida entre diferentes setores. Enquanto uma equipe trabalha nas roupas, outras ficam responsáveis pelos adereços e demais componentes das fantasias.

 

Trabalho e criatividade

Na ciranda Guerreiros Mura, o cirandista Ailson Amorim acompanha o processo de preparação do espetáculo. Segundo ele, diferentes profissionais participam da produção ao longo dos meses que antecedem o festival. “A ciranda, acima de tudo, envolve trabalho. Temos artistas, costureiras, soldadores, pintores, alegoristas, coreógrafos, compositores e músicos. É todo um processo que envolve a economia criativa”, destaca Ailson.

 

Para ele, a preparação também permite que profissionais de diferentes áreas desenvolvam seus trabalhos dentro das agremiações. “A gente se vê dentro desse trabalho e, ao mesmo tempo, ele traz reconhecimento para nós como profissionais. É um trabalho que passa a ser reconhecido pela sociedade”, afirma.

 

Da arena para os bastidores

Na Ciranda Tradicional, Flávia Reis conhece os dois lados do espetáculo. Há oito anos ligada à agremiação e há dois participando da confecção das fantasias, ela divide a rotina entre o trabalho nos bastidores e a participação no cordão de cirandeiros.

 

“É muito gratificante fazer parte da equipe de indumentária. Além de dançar no cordão, tive a oportunidade de participar e ver de perto como conseguimos produzir as peças para todos os cirandeiros. E, além disso, a gente recebe para fazer aquilo que gosta”, revela.

 

Na reta final para o festival, a rotina dos profissionais fica ainda mais intensa. Os trabalhadores passam o dia nos galpões, participam dos ensaios e retornam às atividades para concluir os últimos detalhes das apresentações.

 

“É cansativo. Na semana do festival, a gente vem para cá de manhã cedo, sai à noite, vai para casa apenas para se arrumar e voltar para o ensaio. Às vezes, depois do ensaio, ainda voltamos para cá. Mas é gratificante chegar à arena e ver tudo aquilo pelo que a gente lutou, principalmente ver o nosso trabalho sendo usado e admirado”, relata Flávia.

 

A preparação para o 28º Festival de Cirandas reúne diferentes áreas profissionais e etapas de produção nos galpões das três agremiações. Antes de chegar à arena, os espetáculos passam por meses de criação, confecção, ensaios e ajustes realizados por trabalhadores ligados à cadeia cultural do município.

 

Apresentações

A programação do 28º Festival de Cirandas de Manacapuru começa na sexta-feira (28/08), com a apresentação da Ciranda Flor Matizada, que levará à arena o tema “Witoriro, o Futuro Ancestral”.

 

No sábado (29/08), será a vez da Ciranda Guerreiros Mura, com o tema “Ykawarù: A Cosmogonia do Bem e do Mal Apuricá”.

 

A Ciranda Tradicional encerra a programação no domingo (30/08), com o espetáculo “Terricídio: Quando a Terra Enfrenta o Genocídio”.

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